kk estava pensando agora no meu serviço e sempre tem aquele assunto,"a porque fulano não faz também não vou fazer" no congresso empresarial aprendemos que quem tem o Espirito de Vencedor não vai pela opnião dos outros, mas faz aquilo que ninguém faz, e enquanto aqueles que só reclamava e olhava pro trabalho dos outros, vera você em um palco sendo aplaudido pelo seu sucesso.
E terá a coragem de falar "esse fulano teve muita sorte na vida"
Blog da Fernanda
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Marina - Capitulo 5
No outro dia minha cabeça doía muito. Me levantei por volta das 14:00 horas, minha mãe não estava em casa, estava na igreja evangelizando. Esse era o horário que eu sempre saía para entregar jornais e falar de Jesus…
- Eu não consigo falar com Ele. Dá a impressão que não tenho mais perdão, que para mim não tem mais jeito.
Fui até o armário e peguei um analgésico para minha terrível dor de cabeça. Vi vários tipos de remédios tive vontade de tomar todos. Senti um desejo enorme de me matar…
Uma voz dizia muito sutil no meu ouvido que eu não tinha mais salvação, se eu me matasse aquela angustia sairia e eu seria feliz. Minha dor iria acabar no exato momento que eu morresse…
Peguei uma cartela de remédio para emagrecer que já estava lá no armário há muito tempo, uns dez comprimidos para dor de cabeça e água sanitária. Com uma colher despedacei um a um, até vivarem pó. Misturei todos eles em um copo e adicionei água sanitária. Sentei na janela do meu quarto que dava de frente para um canteiro muito lindo com flores do campo que minha mãe pediu para o jardineiro plantar. Fiquei com aquele copo nas minhas mãos… a cada segundo a voz falava mais alto para eu beber pois minha vida seria outra, meus problemas acabariam, mas eu tinha medo, muito medo… nem sei de que eu tinha medo, mas estava completamente aterrorizada com aquela situação.
Meu coração estava tomado pelo ódio, a mágoa de Deus era muito grande. Como Ele pode fazer isso comigo? O que eu fiz para me crucificar dessa forma?
Andei de um lado para o outro do meu quarto e estava decidida a beber o veneno quando o telefone tocou. Levei um susto tão grande que o copo se despedaçou no chão… Era Felipe, disse que queria que eu conhecesse alguém.
Muito bem, pedi que entrasse. Na sala de casa ele me apresentou alguns colegas. Pessoas estranhas porém muito legais. Ana, Paula, Nenê, Tato, Carol e Bia. Fizemos pipoca e assistimos um filme. Eles haviam passado em uma locadora e o alugaram. O vazio continuava dentro de mim, mas a presença deles me fazia rir um pouco.
- Tem cerveja? Me perguntou Felipe.
-Não.
- Eu disse que aqui não tem isso. O povo é muito careta.
- Marina você tem que aprender viver. A vida que você leva é muito chata. Depois do filme vou te mostrar algo muito manero.
- Paula , eu gostaria de ficar em casa, estou cansada.
Todos deram gargalhadas e Felipe disse que era para eu ir senão eu seria a namorada mais chata que ele já teve.
Eu não queria ser a namorada chata do Felipe, então subi para meu quarto e me arrumei.
Ana subiu depois e quando me viu com uma calça jeans e uma camiseta rosa com flores disse que eu não sabia me vestir. Abriu meu armário e tirou um calça de sarja branca. Perguntou onde tinha uma tesoura e a cortou, fez uma dobra na barra para não precisar costurar. Sim ela cortou minha calça nova de sarja e fez um shorts curto. Eu nunca havia saído com shorts, mas quando o coloquei me senti bem. Parecia que aquele era o meu mundo agora. Pegamos então uma regata ( que eu costumava usar por baixo de outras blusas), um tamanco de salto alto e muitas bijuterias. Ela fez um rabo de cavalo em meus cabelos castanhos escuros, pintou meus olhos de preto e me fez olhar no espelho.
- Incrível ! Estou muito bonita ! Amei a produção. De agora em diante vou me vestir assim.
Quando desci as escadas, Felipe ficou maravilhado.
- Uau!!! Que gata !!! Essa é a Marina que eu gosto.
Senti uma mistura de remorso com desejo de conhecer esse mundo novo.
Nessa tarde fomos para um shopping. Assistimos outro filme e depois entramos em uma lanchonete. Tinha música ao vivo e muita bebida. Eu não queria sentir dores de cabeça novamente, por isso disse que não iria beber nada de álcool, queria apenas um suco.
Novamente muitas gargalhadas… fiquei tão constrangida que pedi a mesma coisa que todos, cerveja, muita cerveja…
Eu não sabia mas Felipe fumava. O cheiro da fumaça do seu cigarro e de todos ali em volta me fez tossir muito, eu ficava sem ar a todo momento… eu nunca vi meu pai fumar, em minha casa nunca entrou cigarro ou bebidas alcoólicas…
Uma semana se passou e eu não me reconhecia mais, nem por um momento me lembrava que um dia fora de Deus.
Deixei de falar com minha mãe, estava muito revoltada com tudo e não queria amizade de ninguém daquela casa, apenas dos meus amigos.
Abri meu email e vi a foto linda de uma rosa amarela. Felipe estava me convidando para sair, eu só não entendi o que tinha haver com a rosa.
- Quero te apresentar ao maior desenhista que já conheci.
- Você tem amigo desenhista? Que tipo de desenho ele faz?
- Você vai amar !!!
Felipe me levou com seu carro até uma loja muito colorida. Era a loja do Dudau. É um apelido esquisito, todos o conhecem assim, mas o seu verdadeiro nome é Claudemir. Ele é um excelente tatuador.
- O que estamos fazendo aqui?
- Vou fazer uma tatoo, queria que me acompanhasse.
- Tudo bem, fico aqui ao seu lado.
- Você não entendeu… quero que faça uma rosa amarela em seu pulso, vai ficar lindo…
- Eu? Nunca pensei em fazer isso…mas confesso que estou tentada em colorir meu corpo.
Pensei um pouco, olhei outros desenhos, fiquei indecisa por um momento.
- Pronto, já decidi.
- E aí, qual vai ser?
- Quero a rosa amarela, vai ficar linda mesmo…
Naquela tarde eu apareci em casa de shorts, camiseta decotada, maquiagem escura e tatoo. Minha mãe quase enfartou, percebi isso no seu olhar, porém nenhuma palavra saiu de sua boca…
Mensagem do Dia
"Portanto, dize-lhes: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Tornai-vos para mim, diz o Senhor dos Exércitos e Eu me tornarei para vós outros, diz o Senhor dos Exércitos"
Deus nós fala nesse versículo que quando deixamos aquilo que queremos para fazer a vontade Dele, Ele automaticamente vai se voltar para os nossos pedidos e orações.
É tão bom saber que tem Alguém que possamos contar os nossos segredos e angustias, nossas alegrias e nossa vida, porque você sabe que tem Alguém ali te ouvindo, Não tem coisa melhor do que ter uma alegria imensa brotando de dentro de você, e não existir mais o vazio que antigamente tinha na minha vida, é tão bom as vezes você esta na rua sozinha e pensando em Deus e Ele te voltar a memoria coisas engraçadas que aconteceu, é tão bom você saber que pode passar por tudo, mas Deus é com você, é tão bom você não ter medo de arriscar, porque simplesmente se você errar ainda assim acertara, é isso que Deus faz quando você se volta pra Ele, te dará uma alegria que você não conseguiu em baladas, bebidas amizades, mas só ele pode te dar o que você tanto quer, que é a alegria no lugar do seu vazio.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Marina - Capitulo 5
- Infelizmente sim, você deverá começar a quimioterapia, mas antes vamos fazer mais alguns exames para realizar uma cirurgia que é
o tratamento primário para o câncer de intestino, retirando a parte afetada. Após a cirurgia, a quimioterapia é utilizada para diminuir a possibilidade da volta do tumor. Quando a doença já está espalhada pelo corpo ( fígado, pulmão ou outros órgãos), novos medicamentos impedem a progressão do tumor e possibilitam aos pacientes viver por mais tempo, com qualidade de vida. Felizmente você está no início da doença por isso as chances são grandes de recuperação.
- Que qualidade de vida uma pessoa com câncer pode ter?
Eu sempre fui muito usada por Deus e agora estou nessa situação. Liguei para minha mãe assim que saí da sala do médico. Chorei muito no saguão do hospital. Não tinha condições de dirigir. Minha mãe, coitada, veio de taxi e me acompanhou até em casa.
Fui para meu quarto e fechei a porta, ali eu chorei copiosamente porque não queria morrer. Não acreditava que aquilo estava acontecendo comigo.
Minha mãe ligou para o Felipe, que de imediato veio para minha casa.
Eu ainda estava no quarto quando ele entrou, sentou-se em minha cama junto com minha mãe e me abraçou. Continuei a chorar. Eu não tinha fé para ser curada. Não sei o que aconteceu comigo. Deixei de acreditar em Deus e nem sei quando isso aconteceu. Meu mundo desmoronou, minha mente ficou vazia, não sentia mais o meu corpo. Um sentimento de revolta e ódio tomou conta do meu ser. Como Deus poderia deixar isso acontecer comigo sendo que sempre fiz a Obra Dele?
Felipe ficou revoltado. A todo momento me perguntava como Deus pode fazer isso comigo, afinal eu era fiel a Ele!
Eu já estava com meu coração tomado pelo ódio. Felipe me disse:
- Vou te ensinar a viver…
- Como assim? Eu vou morrer…
- Não vai não ! Eu prometo. Você vai conhecer o outro lado do mundo. O meu mundo, aquele que eu vivo e conheço, sei que vai gostar muito.
Naquela noite ele me levou para conhecer uma balada. Foi massa! Eu amei. Muitas luzes, achei super legal. Nunca tinha bebido nada de álcool… nessa noite eu bebi, achei muito, muito 10! Por alguns minutos eu esqueci que iria morrer.
As luzes da danceteria estavam apagadas, apenas os refletores com luzes azuis e vermelhas estavam reluzindo em direção ao centro do salão. A música era eletrônica e muitíssimo alta. Pedi ao barman um drink. Um copo alto com muito gelo, os copos dessa balada são bonitos, esse tinha detalhes, ficava mais fácil de segurá-lo, assim com a mão suada não haveria perigo de escorregar. Eu estava muito suada, dancei além da conta. Nem sabia dançar quando cheguei, mas o Felipe me ensinou. O experiente barman começou a fazer sua demonstração, fiquei lá, bem pertinho vendo tudo. Estava hipnotizada com ele, é simplesmente maravilhoso. Pegou uma garrafa com rótulo branco e começou a girar em volta de sua cabeça, fazia caras e bocas. Uma outra transparente, pinga em outra mão, fazendo as duas rodarem em volta de seu corpo. O mais impressionante é que nenhuma delas foi ao chão.
Deixou as duas garrafas em suas mãos e em uma altura de uns 50cm as deitou de forma que o líquido caísse no copo ordenadamente. Deixou encher até o meio do grande copo, puxou as garrafas tão rapidamente que não consegui ver a bebida parar de entrar no copo…impressionante sua habilidade. Eu estava amando aquele lugar. Queria voltar mais vezes, assim poderia beber e esquecer meus problemas. Felipe sabia viver…
Muito gelo foi colocado em outros dois copos, agora azuis, um se encaixava no outro. Ele fez uma graça sambando como se fosse possível ouvir o barulho das pedras batendo nas paredes do copo, com a altura da música era impossível, mas a sensação de saber que isso estava acontecendo ele conseguiu. Separou os copos azuis e adicionou uma bebida vermelha. Eu queria aprender dançar o samba naquela noite.
Felipe me deu um sorriso, retribui com outro, pois estava vivendo a vida agora. Já que vou morrer que eu morra feliz.
Sua apresentação continuou. Equilibrou uma garrafa pequena em seu braço direito, no esquerdo havia outro copo. As vezes eu olhava para ele, outras vezes prestava atenção no movimento. Muita gente estava dentro daquele local pequeno. O cheiro do cigarro me deu um pouco de enjoo, mas logo me acostumei. Felipe pegou o drink para mim, sentamos em um sofá perto da porta. Ele me beijou como nunca antes. Eu estava apaixonada e querendo curtir a vida. Felipe estava me ensinando. Nem me preocupei com o que minha mãe iria falar, sua opinião já não me importava.
Fui até o banheiro, vi uma menina cheirando cocaína. Na hora tive vontade de experimentar, mas tive a sensação de que alguém estava me olhando. Senti medo, parecia que muitos olhares estavam sobre mim. Me olhei no espelho, minha maquiagem estava borrada. Uma garota de minissaia me ofereceu batom. Vermelho sangue, sim o batom era vermelho sangue. Agradeci e aceitei. Quando usei-o em minha boca, não me reconheci. Senti um vazio tão grande dentro de mim que parecia com um abismo sem fim. Tive a impressão de que Deus estava me olhando… parecia que Ele estava pesando seu olhar sobre minha cabeça. Fiquei mais revoltada ainda. Corri para o centro do salão e diante daquela música terrivelmente alta eu gritei:
- Não tenho medo de você! Eu não acredito em você! Eu te servi e agora tenho câncer! Não preciso de você em minha vida!
Felipe chegou perto de mim, me abraçou e dançamos a noite toda. Eu já estava muito bêbada quando voltei para casa…
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Mensagem do Dia
"Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus"
Quando você tem um coração limpo, dos maus olhos, da mentira, da fofoca, do pecado em geral. Você automaticamente não faz mais aquilo que seu coração pede ( a emoção o engado....) mas sim o que a razão pede.
Por exemplo pense agora em uma situação em que você precise mentir para se safar de uma briga com o seu namorado ou seu familiar. Na hora do desespero vai passar pela sua cabeça "E agora o que eu falo".
Você teria coragem de mentir para agradar o seu familiar ou companheiro, do que agradar a Deus?
Você agiria no impulso para se safar daquele problema?
A emoção pediria que naquela hora você mentisse mas a sua consciência saberia o que é errado.
Quando você tem um compromisso com Deus terá que sacrificar para ter um coração limpo, vigiar pra não cair em tentação, e é desafiando a si mesmo que terá um coração limpo diante de Deus, mais que isso sacrificando as suas vontades.
Marina - Capitulo 4
Dois meses antes do meu casamento fiz os exames pré nupcial, já era para ter feito , mas não tive tempo, Deus sabia disso, eu trabalhava muito. Deus sabe de tudo e entende… ( era que eu achava)
Aparentemente eu estava bem, sentia algumas dores abdominais mas isso era porque não estava me alimentando no horário correto. Deveria ser gases como dizia minha avó, meu intestino era preso e eu sofria com isso.
Fui até o hospital e esperei o horário da minha consulta, seria muito rápido, era apenas para a doutora ler os meus exames. Fiquei ali, sentada perto da recepção. O hospital era particular, muita gente passando de um lado para o outro. Tinha um aparelho de televisão bem na minha frente, passava o noticiário. Uma senhora com a criança chorando o tempo todo do meu lado, um jovem com a perna quebrada esperando atendimento do seu retorno, sim porque o gesso estava todo escrito e com desenhos, então deveria ser o dia de tirá-lo. Havia uma mulher grávida, estava bem, poderia ser apenas o pré-natal. Não era hora de visitas, então as pessoas que estavam no local era para serem atendidas. Tinha um bebedouro perto da porta de entrada, eu estava com sede, caminhei calmamente até ele e me saciei.
Uma placa com sinal de proibido fumar perto da segunda porta de entrada, e outra com uma enfermeira fazendo sinal de silêncio. O chão cinza claro estava limpo, a faxineira acabara de passar com um enorme aparelho limpando. O cheiro de éter estava forte, me senti mal. As paredes eram verde erva doce, dizem que essa cor acalma as pessoas. Do lado de fora da grande janela, tinha um jardim com plantas grandes e verdes, um senhor fazia o serviço de jardinagem, mexia com tanto carinho nas plantas e as podava, dava a impressão que conversava e conhecia cada uma. As folhas estavam vistosas e brilhantes, quando ele jogou água com uma mangueira grande dava a sensação de estar vendo o arco íris.
Vi um pai segurando sua filha, ela estava com febre, o rostinho todo vermelho. Dormia segura no colo dele. Nesse momento minha médica me chamou na sala para conversarmos. Caminhei calmamente até ela. Me pediu para sentar. Fez muitas perguntas e eu não estava entendendo nada.
- Minha querida quero repetir os exames para não diagnosticar erroneamente.
- Tem algo de errado comigo doutora?
- No seu exame consta uma anomalia que quero verificar.
Ela não me deu mais detalhes, apenas repeti todos os exames. Ficaria pronto em três dias.
Minha mãe também achou estranho, disse para eu ir até a igreja e pedir oração.
- Mãe eu não preciso de ninguém orando por mim, tenho fé, sei que Deus é grande e pode mudar qualquer situação, eu O conheço ! Sei que não tenho nada, além disso tenho que descansar um pouco.
- Marina, minha querida, o nosso coração é enganoso. Não podemos deixar o mal se alimentar e se fortalecer das emoções que ele nos oferece. Se você tem mágoa, rancor, tristezas, malícia dentro do coração, então o mal senta e se apodera de você, pois está dando para ele a fonte de energia. Da mesma forma é com Deus, quando agimos pela razão, fé. Não damos brechas para sermos enganadas.
- Mãe, eu sei bem quem sou, não preciso de orientações.
Saí com muita raiva daquela situação.
O dia do retorno chegou e a doutora Deise olhou novamente os papeis e os examinou cuidadosamente. Respirou fundo e fez uma ligação. Pediu para que eu esperasse no lado de fora.
Já estava ficando impaciente com aquilo, era só me falar o resultado e eu iria embora, tinha as lojas para gerenciar. Era quarta-feira porém como eu estava cansada não iria na minha igreja, precisava descansar, Deus entende…
Ela me chamou de novo em sua sala, sentou-se ao meu lado e segurou a minha mão.
Comecei a ficar preocupada, o seu olhar não era bom.
- Marina minha querida, vou encaminhá-la ao melhor médico que conheço, é meu amigo e sei que ele irá te ajudar.
- Por que?
- Ele irá te explicar melhor. Vamos até lá.
A doutora Deise me levou até sala ao lado e me apresentou ao doutor Tadeu. Um senhor que usava óculos e bigode, estava com um avental branco e era muito calmo no falar. Ele sorriu para mim e pediu que me sentasse. Doutora Deise me deu um beijo e saiu.
Meu coração ficou gelado porque estava tudo estranho, as pessoas estavam estranhas comigo, não estava entendendo nada. Comecei a suar.
- Marina, estou com seus exames nas mãos e a doutora Deise, minha amiga, pediu que de agora em diante te acompanhasse. Você tem plano de saúde e ele cobre todas as despesas.
- Doutor Tadeu, por favor deixe de rodeios e comece a falar o que eu tenho. Não estou entendendo nada.
- Seus exames deram alteração nas células. Isso significa que você está com câncer no intestino, por isso tem dores abdominais tão fortes. Sua perda de peso também é significante.
Fiquei sem fala…
Ele me deu um copo de água…
Me lembrei de uma senhora que uma vez chegou na igreja com câncer, eu orei nela e ela foi curada. Naquele momento eu usei a fé e ela colocou aquela bola de pus para fora. Tinha um cheiro muito forte… Me lembrei também de um jovem que estava com a mesma doença, mas ele morreu…
- Doutor, tem certeza disso?
domingo, 4 de novembro de 2012
Marina - Capitulo 3
Um dia encontrei com aquele homem no centro da cidade, sem pensar passei para o outro lado da calçada. Não queria cumprimenta-lo. Não queria ve-lo, não queria ouvir sua voz, não queria ele perto de mim.
Insisti no namoro e começamos então uma relação séria. Felipe era muito atencioso e cuidadoso comigo.
Comecei a trabalhar para comprar meus móveis para o casamento. Consegui um emprego em uma loja conceituada de sapatos. Eu era a melhor vendedora da loja, como sempre. Em tudo o que eu fazia Deus me abençoava… eu era Dele. A dona da loja me observou e me colocou como gerente, disse que com meu empenho poderia cuidar das outras meninas. Ela nunca viu alguém trabalhar tão bem como eu trabalhava, e seguindo assim poderia cuidar das outras lojas dela quando não estivesse no Brasil. Sim porque ela viajava muito. Era uma mulher muito influente e culta. Trazia novidades lindíssimas para a loja. Tinha cada bolsa maravilhosa que combinava com o cinto e com o sapato. As vezes eu queria comprar tudo. Sempre fui muito econômica e consciente dos meus gastos, mas nesse mês gastei o que não devia. Até minha mãe achou estranho, porque eu nunca ligava para marcas e nem para coisas que combinavam. Eu gostava mesmo era de evangelizar ,de cuidar do povo. Mas sabe como é …Deus sabe que eu tenho que trabalhar e andar muito bem arrumada.
Comecei a trabalhar aos domingos pela manhã. Cuidava de duas lojas no shopping. O trabalho era tanto que mal dava tempo de almoçar. Assim sendo deixei de jejuar, Deus também sabia que eu tinha que me alimentar para ficar forte no trabalho. Imaginem uma gerente bem conceituada como eu desmaiar de fome no meio da loja…não ficaria bem. Comecei assistir as reuniões do domingo a noite.
Sete meses se passaram, e me sentia triste. Eu não sabia o motivo, mas meu coração estava triste. As coisas do meu casamento estavam prontas, meu vestido era lindo. Foi feito um vestido desenhado por uma estilista amiga minha. Tinha muitas pedrarias. Duas saias de tafetá branco com detalhes em dourado. O véu da cabeça era de quatro metros. Quis aquele que cobre o rosto. Meu buque era de orquídeas brancas, simplesmente maravilhoso. Comprei um sapato baixo, queria conforto.
No dia da ultima prova do vestido, fui de carro. Eu havia comprado um carro, estava ganhando muito bem. No caminho fiquei ouvindo musicas bem agitadas, parece que me acalmava, eu andava meio nervosa. Deveria ser por causa dos preparativos da festa.
Cheguei na loja e a vendedora me levou direto para a costureira dar os últimos ajustes. Sozinha no provador eu chorei. Não sei porque mas chorei. Uma dor na minha alma, não consiguia explicar. Sempre fui fiel a Deus, temente a Ele, nunca havia sentido essa dor dentro do meu peito. Não estava entendendo nada, era o dia mais feliz da minha vida e estava triste. ( antigamente o dia mais feliz da minha vida foi quando recebi o Espírito de Deus…)
A costureira fez o ajuste final. Estava tudo pronto. Eu me casaria dentre quatro semanas. Passei na floricultura para ver o restante da decoração. Comprei tudo branco e rosa. Pedi para ser colocado luzes no corredor ao lado do tapete vermelho que seria coberto por pétalas de rosas. Um violinista iria fazer minha entrada com a musica do titanic, era minha musica preferida. Fiquei perto de um ramalhete lindo de flores, me abaixei para sentir o seu perfume, passei as mãos em outras flores, tinha um toque de veludo. Um aperto na minha alma, vontade de chorar, angustia, não queria ver ninguém, não queria falar com ninguém.
Felipe me ligou, estava me esperando no restaurante. Havíamos combinado de almoçar juntos naquele dia. Me despedi da florista e fui até ele. Era um lugar bem aconchegante, bonito. Como de costume pedi o meu risoto de frutos do mar, ele a carne grelhada com salada. Sempre a mesma coisa. Tomamos suco de caju bem geladinho.
Felipe segurou a minha mão e disse que me amava. Minha voz embargou na hora, eu não consegui dizer o mesmo. Olhei para ele e não senti a mesma coisa que sentia ontem. Parece que estava em dúvidas em relação a minha vida sentimental. Será que não amo mais ele? Será que é correto me casar? Porque sinto um vazio dentro do meu peito? Mas eu sabia que era Felipe o homem da minha vida. Ele era muito carinhoso e perfeito para mim. Eu estava com uma faca em meu coração e não sabia o motivo.
Comemos a comida e voltei para o trabalho. Nesse dia arrebentei de tanto vender. Tirei o que nunca havia tirado. Em um dia de trabalho vendi o relativo a duas semanas de vendas. Eu era a maior vendedora daquela empresa. A dona me deu uma comissão muito grande. Paguei a festa do meu casamento e ainda sobrou troco para comprar uma bolsa de marca.
Fui para casa, entrei direto no meu quarto, pequei um urso de pelúcia que sempre fica em cima da minha cama e o abracei. Chorei muito. Meus olhos não conseguiam abrir de tão inchados que ficaram. Nem mesmo eu sei porque chorei tanto. Não tinha problemas, eu ganhava muito bem. Minha casa estava pronta, meus móveis todos pagos, minha festa… tudo estava em ordem, mas algo no meu coração duvidava, ardia, tinha alguma coisa dentro de mim que eu não sabia o que era.
Fui até a igreja e trabalhei na reunião. Não saiu virtude de dentro de mim, ninguém me procurou para orientação. Antes, fazia fila para eu atender. Voltei para casa, vazia e angustiada.
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